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Casa Hub prometeu ‘erguer’ 12 empreendimentos em parceria com a Fictor Investimentos, que entrou em recuperação judicial por ligação com o Master
Campo Grande parecia o local perfeito para novos grandes investimentos imobiliários. E, assim, dois engenheiros goianos abriram a Hub Incorporações S.A e anunciaram, em 2025, um megaprojeto imobiliário na Capital Morena: investimento de R$ 420 milhões para ‘erguer’ 12 condomínios.
Tudo seria possível com o aporte ‘pesado’ da Fictor Real Estate, braço do Grupo Fictor. Inclusive, o projeto previa uma contrapartida de R$ 6 milhões, que seriam aplicados em melhorias na cidade, como ampliação de postos urbanos, revitalização de praças, plantio de árvores e outras.
No entanto, o maior escândalo financeiro da história do país atingiu o projeto ‘em cheio’.
Meses após a Hub iniciar estratégia agressiva de marketing para anunciar seu ousado plano, surgiu o ‘estopim’ da crise na Fictor. O grupo se envolveu no escândalo ao tentar comprar o Banco Master, de Daniel Vorcaro, um dia antes do Banco Central decretar liquidação da instituição.
Isso fez com que investidores que aplicaram recursos na Fictor retirassem o dinheiro, colapsando a Fictor, que entrou com pedido de recuperação judicial, alegando dívida de R$ 4,3 bilhões.
Quebra do Fictor impacta megaprojeto em Campo Grande
A parceria da Hub com a Fictor para projetos em Campo Grande foi massivamente anunciada na mídia local, inclusive por meio de textos publicitários com entrevista dos gestores da Fictor falando sobre a parceria.
Sem dar mais detalhes, a Hub apenas confirma que ‘descontinuou’ projetos.
A nota encaminhada ao Jornal Midiamax, via assessoria de imprensa, diz que “houve um investimento inicial de uma empresa pertencente ao Grupo Fictor em projetos futuros e pontuais, projetos esses que sequer foram adiante”.
No entanto, até o momento, dos 12 empreendimentos anunciados, apenas um foi lançado: o Bueno Parque dos Poderes. A Hub afirma que não há parceria com a Fictor nesse empreendimento.
Sobre possíveis perdas de investidores, a Hub também diz que os projetos que foram ‘enterrados’ não chegaram a ser vendidos.
Por outro lado, a incorporadora deixa em aberto os planos para o futuro. Assim, de um megaprojeto de R$ 420 milhões e 12 condomínios, restaram incertezas sobre empreendimentos futuros da Hub em Campo Grande: “Novos projetos e valores de investimento são projeções e expectativas da construtora, reafirmando que a empresa Fictor não participa de nenhum empreendimento junto à Hub”.
Oito SPEs
Todo o recurso captado pela Fictor vinha através de SPEs (Sociedades de Propósito Específico). No caso dos projetos em Campo Grande, os sócios da Hub registraram oito CNPJs para SPEs diferentes.
Conforme dados públicos disponibilizados pela Receita Federal, apenas dois desses CNPJs possuem ‘nome’ do empreendimento: Eucalyptus Empreendimentos Imobiliarios Spe Ltda. (27.903.074/0001-94), que é a Bueno Parque dos Poderes, e o Marques de Lavradio Spe Ltda. (59.667.425/0001-00).
Outros seis SPEs estão registrados apenas como Cgr Incorporação 1 até o 8.
A Hub Incorporações tem como proprietários os engenheiros Jordano Bruno Moraes do Prado e Pedro Henrique de Faria Naciff.
Os dois, inclusive, chegaram a abrir um CNPJ em Goiás — em situação baixada — de empresa chamada Hub Urbanismo 01 SPE Ltda. (55.078.857/0001-16), em sociedade com a própria Fictor e com o CEO da Fictor, Rafael Góis.